segunda-feira, 1 de julho de 2013

Pedagogia da alternância: o ensino a partir das vivências do aluno.

Método da pedagogia da alternância, desenvolvido nas Casas Familiares Rurais, foi tema de seminário na UTFPR, câmpus Pato Branco


O método da pedagogia da alternância, que surgiu na França, em 1935, no Brasil, em 1960 e chegou na região Sudoeste por volta de 1980, foi tema do I Seminário de Extensão sobre Pedagogia da Alternância do Sul do Brasil, realizado nesta sexta-feira (28), pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da UTFPR – câmpus Pato Branco.
O método de ensino, desenvolvido principalmente nas Casas Familiares Rurais e Casas Familiares do Mar, busca envolver o aluno, a instituição de ensino, a família, a comunidade e a propriedade rural no processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com a engenheira agrônoma Elieges Carina Bertuzzi, que é supervisora e orientadora pedagógica da Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar-Sul), a pedagogia da alternância é uma metodologia de ensino diferenciada, que prevê que o jovem fique uma semana na Casa Familiar Rural e uma semana na propriedade rural, permitindo que ele faça uma troca de experiências, levando para a sala de aula pesquisas sobre a sua realidade no campo, que serão posteriormente trabalhadas e discutidas.
“O método não é algo imposto e sim discutido entre profissionais e os jovens, que estão ali para aprender e voltar para a sua propriedade e aplicar o conhecimento que adquiriu”, relatou.
Elieges também explicou que com o método procura-se fazer a interdisciplinaridade, relacionado a realidade do aluno com as demais disciplinas da grade curricular tradicional. “Por exemplo, nesta semana vai ser trabalhado sobre a criação do gado de leite, então, na matemática, no português, na disciplina de história ou geografia, todos irão trabalhar com este tema, ou seja, ensinar a língua portuguesa, mas voltado para o tema, ensinar matemática, com cálculos de produção, ensinar história, explicando como evoluiu a criação do gado de leite, ensinar geografia com base no que a nossa realidade melhor se adapta”, enfatizou.
Sudoeste
No Sudoeste existem atualmente 17 Casas Familiares Rurais, onde o método é aplicado. A primeira instituição a trabalhar com a pedagogia da alternância na região foi na cidade de Barracão, em 1989. Hoje além da região, no Estado do Paraná funcionam 43 Casas Familiares Rurais, que utilizam o método da pedagogia da alternância.
Segundo Elieges a utilização desse método, já agregou ótimos resultados, principalmente para o desenvolvimento da região, pois essa é uma metodologia de ensino que foi criada pela necessidade do jovem ter uma profissionalização no campo e não vislumbrar somente o meio urbano, assim também tem contribuído para reduzir o êxodo rural. “Hoje temos um percentual que revela que em torno de 80% dos jovens que passam pelas Casas Familiares Rurais, permanecem no campo, com qualidade de vida, conseguindo melhorar e transformar a sua propriedade”, destacou.
Proposta
A proposta de realizar o seminário e reunir pesquisadores, acadêmicos, monitores, professores e alunos que estão integrados no método da pedagogia da alternância, segundo Maria de Lourdes Bernartt, uma das organizadoras do seminário e adjunta do coordenadoria do PPGDR, é criar, a partir do evento, um espaço que se torne permanente para discussões, reflexões, estudos e trocas de experiências sobre a pedagogia da alternância e também, intensificar a pesquisa sobre esse método de ensino.
Ela ainda comentou que o maior objetivo do PPGDR é o desenvolvimento regional e como a pedagogia da alternância contribui para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, ele vem ao encontro dos temas no PPGDR.

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