O saber é o caminho que viabiliza à sociedade em geral respostas para
indagações ou até desejos diários de novidades, tanto no campo teórico
quanto prático da ciência, e esta situação se efetiva quando há a
interlocução entre quem pesquisa e o que é pesquisado. A relação entre o
estudo e o investigador se dá à medida que haja produção de resultados,
sendo estes, acessíveis a todos aqueles que buscam nas indagações
acadêmicas a certeza de soluções confiáveis às suas dúvidas.
As análises científicas desenvolvidas no âmbito escolar têm
como foco além do aprimoramento das práticas já existentes também a
descoberta, e se apresentam para a comunidade por meio de publicações
redigidas de forma clara, ou seja, com linguagem que viabilize
acessibilidade ao leitor e dê a ele entendimento e convicção do que lhe
foi imputado como desfecho das ações da ciência.
A apresentação de redação das publicações científicas é um
caminho que media as novidades elucidadas por um pesquisador, desde que
esse meio de comunicação não se sustente na complexidade da escrita
gramatical que se pauta do culto ao descomplicado.
A ideia de novos fatos no campo da descoberta acadêmica se dá
na medida em que este permeie a compreensão de qualquer curioso da
leitura; sendo assim, a linguagem gramatical dispensa dificuldade de
interpretação e considera a acessibilidade à informação literária,
premissa para o entendimento do que se lê.
Ora, se o cerne da ciência é a produção de conhecimento e
estes pensamentos também se expressam pela redação de atividades que são
publicadas por estudantes e docentes, logo a composição da escrita
merece especial atenção ao ser divulgada por meio de trabalhos
científicos que se faz essencial, e isso se dá de forma mais amenizada
quando os métodos de trabalhos científicos são discutidos conjuntamente
entre instrutores e instruídos na busca de levar à tona a qualquer
leitor qual a intenção do que foi investigado, de modo a deicar claro o
problema, a justificativa e o resultado que a investigação quis mostrar a
comunidade em geral.
Em tempos de total inclusão tecnológica os estudos feitos
virtualmente se caracterizam como aliados dos estudantes e é um
facilitador de emancipação do conhecimento. Agora, é preciso observar
até que ponto o ensino praticado à distância colabora com o desenvolver
crítico do aluno, já que limita o embate entre professor e aprendiz e
transfere essa entonação aos fóruns virtuais que nem sempre dão o mesmo
tom ao questionamento.
Sem dúvida nenhuma, não há o que se discutir, a tecnologia é
uma ferramenta essencial, o que levanto aqui sob particular ponto de
vista é a situação exagerada de disciplinas virtuais no campo da
educação formal. É bem diferente da opção de fazer um curso de
aperfeiçoamento, treinamento, conferência e outros usando as ferramentas
de tecnologia.
A formação principal em cada grau de conhecimento deveria ser
de forma presencial na sua totalidade, independente da fase em que o
aluno se encontra (Fundamental, Médio e Superior em suas várias
divisões). Há os que contestam essa afirmação, mais aí faço outra
reflexão, será que a escola virou empresa, os discentes produtos e a
educação um negócio?, sintomas capitalistas, embora eu concorde muito
com esse sistema já que ele muitas vezes privilegia quem é produtivo e
proativo. Contudo, é preciso ressaltar que a riqueza da produção
acadêmica tanto presencial quanto escrita advém das controvérsias, da
contenda, dos conflitos entre os agentes principais da educação. E
confesso que, virtualmente ainda não vi isso acontecer, talvez por
ignorância, mas ainda assim defendo que conteúdos online deveriam ser
para aperfeiçoamento e não para formação principal.
Pedagogia 2013.1
terça-feira, 23 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Pedagogia da alternância: o ensino a partir das vivências do aluno.
Método da pedagogia da alternância, desenvolvido nas Casas Familiares Rurais, foi tema de seminário na UTFPR, câmpus Pato Branco
O método da pedagogia da alternância, que surgiu na França, em 1935, no Brasil, em 1960 e chegou na região Sudoeste por volta de 1980, foi tema do I Seminário de Extensão sobre Pedagogia da Alternância do Sul do Brasil, realizado nesta sexta-feira (28), pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da UTFPR – câmpus Pato Branco.
O método de ensino, desenvolvido principalmente nas Casas Familiares Rurais e Casas Familiares do Mar, busca envolver o aluno, a instituição de ensino, a família, a comunidade e a propriedade rural no processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com a engenheira agrônoma Elieges Carina Bertuzzi, que é supervisora e orientadora pedagógica da Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar-Sul), a pedagogia da alternância é uma metodologia de ensino diferenciada, que prevê que o jovem fique uma semana na Casa Familiar Rural e uma semana na propriedade rural, permitindo que ele faça uma troca de experiências, levando para a sala de aula pesquisas sobre a sua realidade no campo, que serão posteriormente trabalhadas e discutidas.
“O método não é algo imposto e sim discutido entre profissionais e os jovens, que estão ali para aprender e voltar para a sua propriedade e aplicar o conhecimento que adquiriu”, relatou.
Elieges também explicou que com o método procura-se fazer a interdisciplinaridade, relacionado a realidade do aluno com as demais disciplinas da grade curricular tradicional. “Por exemplo, nesta semana vai ser trabalhado sobre a criação do gado de leite, então, na matemática, no português, na disciplina de história ou geografia, todos irão trabalhar com este tema, ou seja, ensinar a língua portuguesa, mas voltado para o tema, ensinar matemática, com cálculos de produção, ensinar história, explicando como evoluiu a criação do gado de leite, ensinar geografia com base no que a nossa realidade melhor se adapta”, enfatizou.
O método de ensino, desenvolvido principalmente nas Casas Familiares Rurais e Casas Familiares do Mar, busca envolver o aluno, a instituição de ensino, a família, a comunidade e a propriedade rural no processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com a engenheira agrônoma Elieges Carina Bertuzzi, que é supervisora e orientadora pedagógica da Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar-Sul), a pedagogia da alternância é uma metodologia de ensino diferenciada, que prevê que o jovem fique uma semana na Casa Familiar Rural e uma semana na propriedade rural, permitindo que ele faça uma troca de experiências, levando para a sala de aula pesquisas sobre a sua realidade no campo, que serão posteriormente trabalhadas e discutidas.
“O método não é algo imposto e sim discutido entre profissionais e os jovens, que estão ali para aprender e voltar para a sua propriedade e aplicar o conhecimento que adquiriu”, relatou.
Elieges também explicou que com o método procura-se fazer a interdisciplinaridade, relacionado a realidade do aluno com as demais disciplinas da grade curricular tradicional. “Por exemplo, nesta semana vai ser trabalhado sobre a criação do gado de leite, então, na matemática, no português, na disciplina de história ou geografia, todos irão trabalhar com este tema, ou seja, ensinar a língua portuguesa, mas voltado para o tema, ensinar matemática, com cálculos de produção, ensinar história, explicando como evoluiu a criação do gado de leite, ensinar geografia com base no que a nossa realidade melhor se adapta”, enfatizou.
Sudoeste
No Sudoeste existem atualmente 17 Casas Familiares Rurais, onde o método é aplicado. A primeira instituição a trabalhar com a pedagogia da alternância na região foi na cidade de Barracão, em 1989. Hoje além da região, no Estado do Paraná funcionam 43 Casas Familiares Rurais, que utilizam o método da pedagogia da alternância.
Segundo Elieges a utilização desse método, já agregou ótimos resultados, principalmente para o desenvolvimento da região, pois essa é uma metodologia de ensino que foi criada pela necessidade do jovem ter uma profissionalização no campo e não vislumbrar somente o meio urbano, assim também tem contribuído para reduzir o êxodo rural. “Hoje temos um percentual que revela que em torno de 80% dos jovens que passam pelas Casas Familiares Rurais, permanecem no campo, com qualidade de vida, conseguindo melhorar e transformar a sua propriedade”, destacou.
No Sudoeste existem atualmente 17 Casas Familiares Rurais, onde o método é aplicado. A primeira instituição a trabalhar com a pedagogia da alternância na região foi na cidade de Barracão, em 1989. Hoje além da região, no Estado do Paraná funcionam 43 Casas Familiares Rurais, que utilizam o método da pedagogia da alternância.
Segundo Elieges a utilização desse método, já agregou ótimos resultados, principalmente para o desenvolvimento da região, pois essa é uma metodologia de ensino que foi criada pela necessidade do jovem ter uma profissionalização no campo e não vislumbrar somente o meio urbano, assim também tem contribuído para reduzir o êxodo rural. “Hoje temos um percentual que revela que em torno de 80% dos jovens que passam pelas Casas Familiares Rurais, permanecem no campo, com qualidade de vida, conseguindo melhorar e transformar a sua propriedade”, destacou.
Proposta
A proposta de realizar o seminário e reunir pesquisadores, acadêmicos, monitores, professores e alunos que estão integrados no método da pedagogia da alternância, segundo Maria de Lourdes Bernartt, uma das organizadoras do seminário e adjunta do coordenadoria do PPGDR, é criar, a partir do evento, um espaço que se torne permanente para discussões, reflexões, estudos e trocas de experiências sobre a pedagogia da alternância e também, intensificar a pesquisa sobre esse método de ensino.
Ela ainda comentou que o maior objetivo do PPGDR é o desenvolvimento regional e como a pedagogia da alternância contribui para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, ele vem ao encontro dos temas no PPGDR.
A proposta de realizar o seminário e reunir pesquisadores, acadêmicos, monitores, professores e alunos que estão integrados no método da pedagogia da alternância, segundo Maria de Lourdes Bernartt, uma das organizadoras do seminário e adjunta do coordenadoria do PPGDR, é criar, a partir do evento, um espaço que se torne permanente para discussões, reflexões, estudos e trocas de experiências sobre a pedagogia da alternância e também, intensificar a pesquisa sobre esse método de ensino.
Ela ainda comentou que o maior objetivo do PPGDR é o desenvolvimento regional e como a pedagogia da alternância contribui para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, ele vem ao encontro dos temas no PPGDR.
sábado, 1 de junho de 2013
As TICs na Sala de Aula
As
tecnologias capazes de revolucionar o aprendizado do mundo são basicamente as
tecnologias da informação e comunicação, abreviadas doravante por TICs, como são
referidas. Elas vão desde a primordial escrita, se a entendermos como a primeira
forma de comunicação à distância, que chegou ao livro impresso seguido pelo
cinema, rádio, televisão, telefone. E chegamos ao fim do século XX com os
sofisticados processos de digitalização dos dados e a sua transmissão veloz por
cabos e satélites de comunicação de imagens e textos. Para breve, nos prometerem
a TV digital com ricas possibilidades interactivas.
Os avanços das
tecnologias de informação e comunicação (TICs), a par da globalização e do
aumento da competitividade, têm estado, sem duvida, a contribuir para uma
mudança significativa em termos das competências exigidas às pessoas.
Um acto
radicalmente novo das sociedades modernas reside na sua aptidão para gerar e
difundir informação, contribuindo, decididamente, para o emergir da “aldeia
global”, onde o indivíduo é confrontado com a necessidade de uma aprendizagem
permanente. Esta sociedade de informação exige uma ampla consolidação e
actualização de conhecimentos, direccionando o indivíduo para um novo conceito
de educação – a construção do conhecimento, e uma nova alfabetização – a
infoalfabetização.
As TICs podem
proporcionar potencialidades imprescindíveis à educação. O que, gradualmente,
está a conduzir ao reequacionamento do sistema educativo e da própria formação.
Neste contexto, cada vez mais, ter-se-á de articular a escola com a sociedade de
informação e do conhecimento, oferecendo condições para que todos possam aceder
e seleccionar, ordenar, gerir e utilizar novos produtos imprescindíveis ao
ensino-aprendizagem.
Com o
desenvolvimento de novos meios de difusão, a informação deixou de ser
predominantemente veiculada pelo Professor na escola. Actualmente, com o
crescente aumento da informação, o aluno chega à escola transportando consigo a
imagem de um mundo que ultrapassa os limites do núcleo familiar, do Professor e
da própria escola. Mas informação não é conhecimento e o aluno continua a
necessitar da orientação de alguém que já trabalhou ou tem condições para
trabalhar essa informação. Nada pode substituir a riqueza do diálogo pedagógico.
As TICs
multiplicaram enormemente as possibilidades de pesquisa de informação e os
equipamentos interactivos e multimédia vieram colocar à disposição dos alunos um
manancial inesgotável de informações. Munidos destes novos instrumentos, os
alunos podem tornar-se “exploradores” activos do mundo que os envolve. Os
Professores devem ensinar os alunos a avaliarem e gerirem na prática a
informação que lhes chega. Este processo revela-se muito mais próximo da vida
real do que os métodos tradicionais de transmissão do saber. Começam a surgir na
sala de aula novos tipos de relacionamento. O desenvolvimento das novas
tecnologias não diminui em nada o papel das Professores, antes o modifica
profundamente, constituindo uma oportunidade que deve ser plenamente
aproveitada. Certamente que o Professor já não pode, numa sociedade de
informação e do conhecimento, limitar-se a ser difusor de saber. Torna-se, de
algum modo, parceiro de um saber colectivo que lhe compete organizar. Sendo
assim, o Professor deixa de se apresentar como o núcleo do conhecimento para se
tornar um optimizador desse mesmo conhecimento e saber, convertendo-se assim,
num:
-
organizador do saber;
-
fornecedor de meios e recursos de aprendizagem;
-
estimulador do diálogo, da reflexão e da participação crítica.
Com esses
meios técnicos que, como o nome sugere, facilitam a mediação, a educação à
distância tem tornado mais interactivo o aluno passivo e consumidor de conteúdos
e facilita que vá se tornando uma espécie de co-autor da construção do seu
conhecimento.
Devido à sua flexibilidade e
potencial interactivo, a utilização dos sistemas e documentos hipermédia em
contexto educativo proporciona o desenvolvimento de um percurso autónomo de
aprendizagem por parte dos alunos, desmistificando simultaneamente a ideia do
professor detentor do conhecimento. Assim, a possibilidade de implementação de
um novo modelo interactivo no processo de comunicação, constitui um suporte para
a aproximação professor - aluno bem como uma mudança no processo ensino -
aprendizagem, no qual surge um utilizador activo que participa na organização da
informação e no controlo da aprendizagem.
Esta nova tecnologia através da
construção de documentos hipérmédia permitem a livre “navegação” adaptando-se
aos diferentes níveis de capacidade e de aprendizagem dos alunos.
No que diz
respeito à motivação a à facilitação do processo ensino - aprendizagem, as TICs
podem desempenhar um papel primordial, desde que integradas correctamente no
contexto pedagógico. As suas potencialidades são te tal modo vastas que de certo
proporcionam uma aplicação/exploração tão abrangente e eficaz, cujo limite se
encontre apenas na imaginação e criatividade do seu utilizador.
Educar e aprender
talvez seja mais bem do que transmitir e receber informação: é comunicar
informação e conhecimento. E o papel do educador como comunicador parece estar
mais evidenciado quando se utilizam TICs, evidentemente, correndo o risco de
caminhos perversos como a confusão da figura do educador com a caricata imagem
de mero “animador” do processo de aprendizagem. Criar e gerir o que se cria é um
grande desafio quando se utilizam os recursos das TICs.
É possível portanto, pensar que
com o uso de TICs, as capacidades de comunicação por parte de quem tem que
criar, transmitir e compartilhar conhecimento afloram com mais intensidade,
vigor e visibilidade do que quando não se usa a tecnologia.
No que diz
respeito à utilização das TIC’ na minha área disciplinar não tenho dúvidas de
que estas contribuem para um maior enriquecimento das aulas. O estudo acaba por
ser mais abrangente, a informação está mais acessível e completa.
Nos dias de hoje a maior parte
dos manuais sugere a utilização da Internet, vídeos, CD – ROM na sala de aula,
que quase não permite desculpas para que continue a ser ignorada a sua
utilização como ferramenta pedagógica..
As novas tecnologias permitem
que as aulas se tornem muito mais motivadoras quer para os alunos quer para o
professor.
Fonte: As TICs na Sala de Aula
quinta-feira, 30 de maio de 2013
TESTE: Você está pronto para utilizar a tecnologia na Educação?
Os computadores e ferramentas como a internet estão cada vez mais presentes nos processos de ensino e de aprendizagem. O teste a seguir ajuda você a avaliar se já está integrado a esta onda de novidades.
TESTE!
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Desafio aos professores: aliar tecnologia e educação
Seja por meio de celular, computador ou TV via satélite, as
diferentes tecnologias já fazem parte do dia a dia de alunos e
professores de qualquer escola. Contudo, fazer com que essas ferramentas
de fato auxiliem o ensino e a produção de conhecimento em sala de aula
não é tarefa fácil: exige treinamento dos mestres. A avaliação é de
Guilherme Canela Godoi, coordenador de comunicação e informação no
Brasil da Unesco, braço da ONU dedicado à ciência e à educação. "Ainda
não conseguimos desenvolver de forma massiva metodologias para que os
professores possam fazer uso dessa ampla gama de tecnologias da
informação e comunicação, que poderiam ser úteis no ambiente
educacional." O desafio é mundial. Mas pode ser ainda mais severo no
Brasil, devido a eventuais lacunas na formação e atualização de
professores e a limitações de acesso à internet - problema que afeta
docentes e estudantes. Na entrevista a seguir, Godoi comenta os desafios
que professores, pais e nações terão pela frente para tirar proveito da
combinação tecnologia e educação.
Qual a extensão do uso das novas tecnologias nas escolas brasileiras?Infelizmente, não existem dados confiáveis que permitam afirmar se as tecnologias são muito ou pouco utilizadas nas escolas brasileiras. Censos educacionais realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que a maioria das escolas públicas já tem à sua disposição uma série de tecnologias. No entanto, a presença dessas ferramentas não significa necessariamente uso adequado delas. O que de fato se nota é que ainda não conseguimos desenvolver de forma massiva metodologias para que os professores possam fazer uso dessa ampla gama de tecnologias da informação e comunicação, que poderiam ser úteis no ambiente educacional.
Quais devem ser as políticas públicas para incentivar as tecnologias em sala de aula?Elas precisam ter um componente fundamental de formação e atualização de professores, de forma que a tecnologia seja de fato incorporada no currículo escolar, e não vista apenas como um acessório ou aparato marginal. É preciso pensar como incorporá-la no dia a dia da educação de maneira definitiva. Depois, é preciso levar em conta a construção de conteúdos inovadores, que usem todo o potencial dessas tecnologias. Não basta usar os recursos tecnológicos para projetar em uma tela a equação "2 + 2 = 4". Você pode escrever isso no quadro negro, com giz. A questão é como ensinar a matemática de uma maneira que só é possível por meio das novas tecnologias, porque elas fornecem possibilidades de construção do conhecimento que o quadro negro e o giz não permitem. Por fim, é preciso preocupar-se com a avaliação dos resultados para saber se essas políticas de fato fazem a diferença.
As novas tecnologias já fazem parte da formação dos professores?Ainda é preciso avançar muito. Os dados disponíveis mostram que, infelizmente, ainda é muito incipiente a formação de professores com a perspectiva de criação de competências no uso das tecnologias na escola. Com relação à formação continuada, ou seja, à atualização daqueles profissionais que já estão em serviço, aparentemente nós temos avanços um pouco mais concretos. Há uma série de programas disponíveis que oferecem recursos a eles.
Para os alunos, qual o impacto de conviver com professores ambientados com as novas tecnologias?
As avaliações mais sólidas a esse respeito estão acontecendo no âmbito da União Europeia. Elas mostram que a introdução das tecnologias nas escolas aliada a professores capacitados têm feito a diferença em alguma áreas, aumentando, por exemplo, o potencial comunicativo dos alunos.
As relações dentro da sala de aula mudam com a chegada da tecnologia?O que tem acontecido - e acho que isso é positivo, se bem aproveitado - é que a relação de poder professor-aluno ganha uma nova dinâmica com a incorporação das novas tecnologias. Isso acontece porque os alunos têm uma familiaridade muito grande com essas novidades e podem se inserir no ambiente da sala de aula de uma maneira muito diferente. Assim, a relação com o professor fica menos autoritária e mais colaborativa na construção do conhecimento.
É comum imaginar que em países com um alto nível educacional a integração das novas tecnologias aconteça mais rapidamente. Já em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde muitas vezes o professor tem uma formação deficitária, a incorporação seja mais lenta. Esse pensamento é correto?
Grandes questões sobre o assunto não se colocam apenas para países em desenvolvimento. É o caso, por exemplo, de discussões sobre como melhor usar a tecnologia e como treinar professores. O mundo todo discute esses temas, porque essas novas ferramentas convergentes são um fenômeno recente. Porém, também é correto pensar que nações onde as pessoas são mais conectadas e têm mais acesso a dispositivos devem adotar a tecnologia em sala de aula de modo mais amplo e produtivo. Outro fenômeno detectado no mundo todo é o chamado "gap geracional", ou seja, os professores não nasceram digitalizados, enquanto seus alunos, sim.
O senhor vê algum tipo de resistência nas escolas brasileiras à incorporação da tecnologia?
Não acredito que haja uma resistência no sentido de o professor acreditar que a tecnologia é maléfica, mas, sim, no sentido de que ele não sabe como utilizar as novidades. Não se trata de saber ou não usar um computador. Isso é o menor dos problemas. A questão em jogo é como usar equipamentos e recursos tecnológicos em benefício da educação, para fins pedagógicos. Esse é o pulo do gato.
Quais os passos para superar a formação deficitária dos professores?A Unesco sintetizou em livros seu material de apoio, chamado Padrões de Competências em Tecnologia da Informação e da Comunicação para Professores. Ali, dividimos o aprendizado em três grandes pilares. O primeiro é a alfabetização tecnológica, ou seja, ensinamos a usar as máquinas. O segundo é o aprofundamento do conhecimento. O terceiro pilar é chamado de criação do conhecimento. Ele se refere a uma situação em que as tecnologias estão tão incorporadas por professores e alunos que eles passam a produzir conhecimento a partir delas. É o caso das redes sociais. É importante lembrar que esse processo não é trivial, ele precisa estar inserido na lógica da formação do professor. Não se deve achar que a simples distribuição de equipamentos resolve o problema.
Fonte: Desafio aos professores: aliar tecnologia e educação
Qual a extensão do uso das novas tecnologias nas escolas brasileiras?Infelizmente, não existem dados confiáveis que permitam afirmar se as tecnologias são muito ou pouco utilizadas nas escolas brasileiras. Censos educacionais realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que a maioria das escolas públicas já tem à sua disposição uma série de tecnologias. No entanto, a presença dessas ferramentas não significa necessariamente uso adequado delas. O que de fato se nota é que ainda não conseguimos desenvolver de forma massiva metodologias para que os professores possam fazer uso dessa ampla gama de tecnologias da informação e comunicação, que poderiam ser úteis no ambiente educacional.
Quais devem ser as políticas públicas para incentivar as tecnologias em sala de aula?Elas precisam ter um componente fundamental de formação e atualização de professores, de forma que a tecnologia seja de fato incorporada no currículo escolar, e não vista apenas como um acessório ou aparato marginal. É preciso pensar como incorporá-la no dia a dia da educação de maneira definitiva. Depois, é preciso levar em conta a construção de conteúdos inovadores, que usem todo o potencial dessas tecnologias. Não basta usar os recursos tecnológicos para projetar em uma tela a equação "2 + 2 = 4". Você pode escrever isso no quadro negro, com giz. A questão é como ensinar a matemática de uma maneira que só é possível por meio das novas tecnologias, porque elas fornecem possibilidades de construção do conhecimento que o quadro negro e o giz não permitem. Por fim, é preciso preocupar-se com a avaliação dos resultados para saber se essas políticas de fato fazem a diferença.
As novas tecnologias já fazem parte da formação dos professores?Ainda é preciso avançar muito. Os dados disponíveis mostram que, infelizmente, ainda é muito incipiente a formação de professores com a perspectiva de criação de competências no uso das tecnologias na escola. Com relação à formação continuada, ou seja, à atualização daqueles profissionais que já estão em serviço, aparentemente nós temos avanços um pouco mais concretos. Há uma série de programas disponíveis que oferecem recursos a eles.
Para os alunos, qual o impacto de conviver com professores ambientados com as novas tecnologias?
As avaliações mais sólidas a esse respeito estão acontecendo no âmbito da União Europeia. Elas mostram que a introdução das tecnologias nas escolas aliada a professores capacitados têm feito a diferença em alguma áreas, aumentando, por exemplo, o potencial comunicativo dos alunos.
As relações dentro da sala de aula mudam com a chegada da tecnologia?O que tem acontecido - e acho que isso é positivo, se bem aproveitado - é que a relação de poder professor-aluno ganha uma nova dinâmica com a incorporação das novas tecnologias. Isso acontece porque os alunos têm uma familiaridade muito grande com essas novidades e podem se inserir no ambiente da sala de aula de uma maneira muito diferente. Assim, a relação com o professor fica menos autoritária e mais colaborativa na construção do conhecimento.
É comum imaginar que em países com um alto nível educacional a integração das novas tecnologias aconteça mais rapidamente. Já em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde muitas vezes o professor tem uma formação deficitária, a incorporação seja mais lenta. Esse pensamento é correto?
Grandes questões sobre o assunto não se colocam apenas para países em desenvolvimento. É o caso, por exemplo, de discussões sobre como melhor usar a tecnologia e como treinar professores. O mundo todo discute esses temas, porque essas novas ferramentas convergentes são um fenômeno recente. Porém, também é correto pensar que nações onde as pessoas são mais conectadas e têm mais acesso a dispositivos devem adotar a tecnologia em sala de aula de modo mais amplo e produtivo. Outro fenômeno detectado no mundo todo é o chamado "gap geracional", ou seja, os professores não nasceram digitalizados, enquanto seus alunos, sim.
O senhor vê algum tipo de resistência nas escolas brasileiras à incorporação da tecnologia?
Não acredito que haja uma resistência no sentido de o professor acreditar que a tecnologia é maléfica, mas, sim, no sentido de que ele não sabe como utilizar as novidades. Não se trata de saber ou não usar um computador. Isso é o menor dos problemas. A questão em jogo é como usar equipamentos e recursos tecnológicos em benefício da educação, para fins pedagógicos. Esse é o pulo do gato.
Quais os passos para superar a formação deficitária dos professores?A Unesco sintetizou em livros seu material de apoio, chamado Padrões de Competências em Tecnologia da Informação e da Comunicação para Professores. Ali, dividimos o aprendizado em três grandes pilares. O primeiro é a alfabetização tecnológica, ou seja, ensinamos a usar as máquinas. O segundo é o aprofundamento do conhecimento. O terceiro pilar é chamado de criação do conhecimento. Ele se refere a uma situação em que as tecnologias estão tão incorporadas por professores e alunos que eles passam a produzir conhecimento a partir delas. É o caso das redes sociais. É importante lembrar que esse processo não é trivial, ele precisa estar inserido na lógica da formação do professor. Não se deve achar que a simples distribuição de equipamentos resolve o problema.
Fonte: Desafio aos professores: aliar tecnologia e educação
terça-feira, 28 de maio de 2013
TICs na Educação do Brasil
O Brasil precisa melhorar a competência dos
professores em utilizar as tecnologias de comunicação e informação na
educação. A forma como o sistema educacional incorpora as TICs afeta
diretamente a diminuição da exclusão digital existente no país.
Vários pontos devem ser levados em conta quando se
procura responder a questões como: Como as TICs podem ser utilizadas
para acelerar o desenvolvimento em direção à meta de "educação para
todos e ao longo da vida"? Como elas podem propiciar melhor equilíbrio
entre ampla cobertura e excelência na educação? Como ela podem
contribuir para reconciliar universalidade e especificidade local do
conhecimento? Como pode a educação preparar os indivíduos e a sociedade
de forma a que eles dominem as tecnologias que permeiam crescentemente
todos os setores da vida e possam tirar proveito delas?
- Primeiro, as TICs são apenas uma parte de um contínuo desenvolvimento de tecnologias, a começar pelo giz e os livros, todos podendo apoiar e enriquecer a aprendizagem.
- Segundo, as TICs, como qualquer ferramenta, devem ser usadas e adaptadas para servir a fins educacionais.
- Terceiro, várias questões éticas e legais, como as vinculadas à propriedade do conhecimento, ao crescente tratamento da educação como uma mercadoria, à globalização da educação face à diversidade cultural, interferem no amplo uso das TICs na educação.
Na busca de
soluções a essas questões, a UNESCO coopera com o governo brasileiro na
promoção de ações de disseminação de TICs nas escolas com o objetivo de
melhorar a qualidade do processo ensino-aprendizagem, entendendo que o
letramento digital é uma decorrência natural da utilização frequente
dessas tecnologias. O Ministério da Educação
tem a meta de universalizar os laboratórios de informática em todas as
escolas públicas até 2010, incluindo as rurais. A UNESCO também coopera
com o Programa TV Escola, para
explorar a convergência das mídias digitais na ampliação da
interatividade dos conteúdos televisivos utilizados no ensino presencial
e a distância.
A UNESCO no Brasil conta com a permanente parceria
das Cátedras UNESCO em Educação a Distância em várias universidades
brasileiras, que utilizam as TICs para promover a democratização do
acesso ao conhecimento no país.
Em 4 de agosto de 2009, a UNESCO no Brasil e seus parceiros lançaram no país o projeto internacional Padrões de Competência em TICs para Professores, por meio das versões em português das brochuras sobre a proposta do projeto. O projeto tem o objetivo de fornecer diretrizes sobre como melhorar as capacidades dos professores nas práticas de ensino por meio de TICs. Autoridades, especialistas e tomadores de decisão analisam a viabilidade da implementação das diretrizes deste projeto adaptadas à realidade brasileira.
Em 4 de agosto de 2009, a UNESCO no Brasil e seus parceiros lançaram no país o projeto internacional Padrões de Competência em TICs para Professores, por meio das versões em português das brochuras sobre a proposta do projeto. O projeto tem o objetivo de fornecer diretrizes sobre como melhorar as capacidades dos professores nas práticas de ensino por meio de TICs. Autoridades, especialistas e tomadores de decisão analisam a viabilidade da implementação das diretrizes deste projeto adaptadas à realidade brasileira.
Para mais informações: TIC em educação na UNESCO
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Um guia sobre o uso de tecnologias em sala de aula
Um painel para todas as disciplinas mostra quando - e como - as novas ferramentas são imprescindíveis para a turma avançar
TICs, tecnologias da informação e comunicação. Cada vez mais, parece impossível imaginar a vida sem essas letrinhas. Entre os professores, a disseminação de computadores, internet, celulares, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga e uma infinidade de engenhocas da modernidade provoca reações variadas. Qual destes sentimentos mais combina com o seu: expectativa pela chegada de novos recursos? Empolgação com as possibilidades que se abrem? Temor de que eles tomem seu lugar? Desconfiança quanto ao potencial prometido? Ou, quem sabe, uma sensação de impotência por não saber utilizá-los ou por conhecê-los menos do que os próprios alunos?
Se você se identificou com mais de uma alternativa, não se preocupe. Por ser relativamente nova, a relação entre a tecnologia e a escola ainda é bastante confusa e conflituosa. NOVA ESCOLA quer ajudar a pôr ordem na bagunça buscando respostas a duas questões cruciais. A primeira delas: quando usar a tecnologia em sala de aula? A segunda: como utilizar esses novos recursos?
Dá para responder à pergunta inicial estabelecendo, de cara, um critério: só vale levar a tecnologia para a classe se ela estiver a serviço dos conteúdos. Isso exclui, por exemplo, as apresentações em Power Point que apenas tornam as aulas mais divertidas (ou não!), os jogos de computador que só entretêm as crianças ou aqueles vídeos que simplesmente cobrem buracos de um planejamento malfeito. "Do ponto de vista do aprendizado, essas ferramentas devem colaborar para trabalhar conteúdos que muitas vezes nem poderiam ser ensinados sem elas", afirma Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA.
Da soma entre tecnologia e conteúdos, nascem oportunidades de ensino - essa união caracteriza as ilustrações desta reportagem. Mas é preciso avaliar se as oportunidades são significativas. Isso acontece, por exemplo, quando as TICs cooperam para enfrentar desafios atuais, como encontrar informações na internet e se localizar em um mapa virtual. "A tecnologia tem um papel importante no desenvolvimento de habilidades para atuar no mundo de hoje", afirma Marcia Padilha Lotito, coordenadora da área de inovação educativa da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Em outros casos, porém, ela é dispensável. Não faz sentido, por exemplo, ver o crescimento de uma semente numa animação se podemos ter a experiência real.
As dúvidas sobre o melhor jeito de usar as tecnologias são respondidas nas próximas páginas. Existem recomendações gerais para utilizar os recursos em sala (veja os quadros com dicas ao longo da reportagem). Mas os resultados são melhores quando é considerada a didática específica de cada área. Com o auxílio de 17 especialistas, construímos um painel com todas as disciplinas do Ensino Fundamental. Juntos, teoria, cinco casos reais e oito planos de aula (três na revista e cinco no site) ajudam a mostrar quando - e como - computadores, internet, celulares e companhia são fundamentais para aprender mais e melhor.
Fonte: Revista Escola
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